O “Bio-char”

Em setembro de 2015 participei numa oficina sobre o “bio-char”, durante a convergência de Permacultura na Inglaterra. Este carvão, de uso agrícola, é a nova moda agrícola. A história começa em Amazonas uns 20 anos atrás: pesquisadores descobriram que existem manchas de terra preta, permanentemente férteis, a pesar das chuvas tropicais.

Descobriram que esta estabilidade da fertilidade era graças à presença de carvão no solo (e pedaços de cerâmica crua). Este carvão serve de abrigo para a micro-vida (as bactérias e fungos), que, na sua vez, evitem que as chuvas levem os minerais embora.

Existe muita especulação de como surgiram estas manchas. Eu pessoalmente acho que eram locais de produção de carvão, algo que existe ainda hoje, perto de Belém de Pará. Lá, fazem canteiros grandes, empilhadas com madeira, tocam fogo, e quando a madeira já está queimando bem, abafam com “terra preta” (o meu informante não soube dizer qual terra  era esta). O mesmo local é utilizado por até dez anos. Depois, o próprio povo local reconhece que estes canteiros são lugares bons para plantar (depoimento de um visitante, nativo de Belém de Pará).

Hoje existe uma verdadeira onda de pesquisas e experimentos com o uso de carvão na agricultura.  Na oficina, aprendemos que este carvão é fácil de produzir:

Faz-se uma pilha de madeira no fundo de um buraco, e toca fogo. Quando esta madeira está queimando bem, coloca-se outra camada por cima. A camada de cima rouba o oxigênio da camada de baixo, que vira carvão. Assim vai acrescentando camadas sucessivas até encher o buraco. Quando a última camada está ficando branca (formando cinzas), joga-se água para apagar o fogo. Se puder jogar a água primeiro no fundo do fogo, é melhor ainda. Cria vapor, que faz o carvão inchar, aumentando em até 30% sua capacidade de abrigar a micro-vida.

Não se deve usar este carvão diretamente no solo: vai roubar a micro-vida do solo! Assim, deve inocular com chá de composto, ou colocar diretamente no composto, para que fique inoculado. Assim, pode usar no solo sem perigo. Recomendam-se até 20% do volume...

O povo da Permacultura está encantado com esta técnica como uma maneira de seqüestrar o carbono do ar.  Mas, enquanto não parar com a queima de milhões de hectares de pasto todo ano na África, este quantia é irrisório.  O interessante mesmo é de poder criar um solo estável nos trópicos.

A pesar de todas as pesquisas positivas, precisamos andar com cautela: o carvão é estável, estamos acrescentando algo que vai ficar para sempre! Será que, mais para frente, vão descobrir algum porém?

De qualquer jeito, vamos experimentar esta técnica aqui em Marizá. Vamos usar no viveiro, e em alguns campos específicos, sempre deixando outro sem carvão como testemunho.

Ao mesmo tempo, este carvão pode ser usado como sempre se usa: para filtrar água, para tratar diarréias, até nas pinturas e nos reboques, para purificar o ar dentro de casa.

Para nos, esta é uma oportunidade boa para utilizar a grande quantidade de cascas de coco e galhos espinhentos, que temos disponíveis. Pessoalmente tenho bastante esperança que ajude na evolução dos nossos solos arenosos...


*Marsha - 2015

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Marsha Hanzi

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