Como transformar as escolas em lugares felizes (para os alunos e os professores) com um mínimo de mudança na infra-estrutura já existente

Porque as escolas têm a atual estrutura:

Poucos sabem que as escolas atuais foram criadas para adestrar operários de fábrica. Sabia-se que os filhos de agricultores não agüentariam dias rotineiros e repetitivos se não fossem adestrados para tal desde a mais tenra idade.

Assim, criou-se uma instituição que exigia restrição de movimento, nenhuma autonomia de decisão sobre a vida, obediência a todo custo e certas habilidades reduzidas tais como produção de relatórios, matemática simples e a memorização de assuntos necessários para uma participação na vida política como cidadão “correto” (que vota sem questionar).

A meta era de criar o “homem robô” como parte da máquina industrial. Felizmente esta necessidade acabou, já que as máquinas sofisticadas assumiram estas tarefas. Tragicamente, as escolas não se adaptaram ao mundo do novo milênio, que exige habilidades e conhecimentos totalmente diferentes da Era Industrial.

(Quem duvida destas afirmações só precisa olhar o formato das escolas, com as barras nas janelas, movidos à sirene, para ver a analogia destas com fábricas).

Em vez de tentar tornar o currículo, hoje inapropriado para a Era da Informação, mais palatável e prazeroso, exigindo enormes esforços da parte do professor, deve-se perguntar: “O que são as habilidades e os conhecimentos necessários para o novo milênio?”
Características do mundo de hoje:

O mundo moderno é profundamente instável. Viver neste mundo exige enorme jogo de cintura, leitura de sinais de mudanças e empreendedorismo. Emprego não é mais garantia, já que os salários estão baixos e a estabilidade inexistente. Os governos estão falidos, com cada vez mais dificuldade de pagar as aposentadorias, exigindo que cada um administre suas próprias finanças, se quiser garantir uma velhice segura.

Algumas habilidades necessárias para este novo mundo:

  • Saber reconhecer oportunidades e criar em cima delas;
  • Saber administrar e investir o dinheiro;
  • Saber fazer um plano de negócios e implementá-lo;
  • Conhecer seus próprios talentos e desenvolvê-los;
  • Negociar;
  • Dialogar;
  • Descobrir a sua paixão;
  • A vida prática: cozinhar, pintar, construir, costurar...

Valores para o novo milênio

O mundo enfrenta uma mudança profunda de valores, na procura da sobrevivência da humanidade e do próprio Planeta. O enfoque da ecologia nos ensina que tudo está conectado, que nenhum empreendimento existe fora de um contexto ecológico, social e econômico. Se o velho paradigma da Era Industrial era “cada um por si e Deus por todos”, hoje se sabe que este enfoque competitivo de “uns ganham, outros perdem” leva à guerra e à destruição da Natureza e da sociedade. Cria um mundo cinza e triste.

As escolas de hoje precisam levar os estudantes a reconhecer que tudo acontece num contexto, e que só os empreendimentos onde todos ganham (o consumidor, a Natureza, a sociedade) terão sucesso real e duradouro. (O “win-win” em inglês.) Muitas firmas já reconhecem este fato e lucram com estes ajustes em direção à responsabilidade ecológica e social.

Valores, contexto, empreendedorismo não se ensinam na sala de aula. É na vida real que isto acontece. Talentos e paixão também não se ensinam, se descobrem. Também isto implica na individualidade de cada aluno, que o currículo massificante de hoje tenta apagar.

O currículo de hoje tenta transmitir informações, uma idéia absurda, quando a informação se transforma diariamente e fica à distância de uma tecla. As escolas de hoje precisam fomentar habilidades dentro das quais é saber como adquirir as informações necessárias. Memorizar dados vem dos tempos medievais, onde ainda não havia livros... Também é absurdo de presumir que só o professor sabe, quando muitas vezes os conhecimentos dos alunos são muito mais atualizados. Em vez de “ensinar” os professores precisam uma postura de “apoiar” as pesquisas do próprio aluno.

Como transformar o contexto da escola

Já existem dezenas de escolas que trabalham com o novo paradigma, dando liberdade aos alunos de escolher suas próprias áreas de estudo. Nestas escolas os alunos são felizes, e trabalham muito mais do que nas escolas institucionalizadas. (Vejam www.sudval.org e www.lumiar.org para exemplos). Quando adultos, mostram alto grau de empreendedorismo, como donos de negócios, profissionais e artistas.

Mas abolir o currículo exige a transformação de espaços e de tempos muito difíceis para uma escola já estabelecida. Dar liberdade aos alunos assusta tanto os pais quanto os professores. (Toda criança entende imediatamente esta proposta!) É preciso mais passos de transição para que toda a sociedade se acostume com esta idéia.

Alguns dos passos:

  • Tirar os estudantes da sala de aula o máximo possível;
  • Trabalhar com projetos reais e abertos o bastante para exigir autonomia dos estudantes (exemplo: “criar algo em benefício da sua comunidade”). Em projetos mais , novos talentos e habilidades vão surgir: os jovens com dons práticos terão sua vez, o que não acontece na sala de aula;
  • Considerar a comunidade toda como “sala de aula” e os diversos profissionais os “mestres em potencial”;
  • Deixar os alunos participar no processo de planejamento. São inteligentes e sabem o que o mundo exige deles.

Um currículo baseado em projetos reais desenvolveria as habilidades necessárias para o mundo moderno. E os alunos e os professores serão muito mais felizes, já que resgata a criatividade e a individualidade dentro do processo educacional.

 

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Marsha Hanzi

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