Mestres da Agroecologia

Bob Cannard mora ao norte de San Francisco, na Califórina. Ele é conhecido porque faz agricultura “no meio do mato”. De fato, o que parece uma maneira “preguiçosa” de plantar hortaliças é um sistema extremamente sofisticado e minucioso. Bob Cannard, como os outros “mestres de agroecologia” é um filósofo.

O sistema dele não é somente uma coleção de técnicas. É uma filosofia de vida, uma proposta de uma maneira de ocupar a Terra. A vida é baseada em quatro elementos: minerais (que ela fornece em forma de pó e rocha basáltica e conchas), luz, ar (ele considera água uma forma de “ar antigo” ), e vida, fornecida em forma de adubo líquido, que ele produz de uma forma extremamente sofisticada.

Bob Cannard prepara o solo com pequenos cultivadores, incorporando a grande quantidade de massa orgânica produzida no ano anterior. Ele planta as hortaliças em forma de sementes ou mudas, em fileira. O espaço entre as linhas é cultivado enquanto as hortaliças crescem. Quando as hortaliças estão num ponto de resistir à pressão de matos, o campo é deixado sem outras intervenções. Os matos tomam conta, aparentemente - mas as hortaliças continuam crescendo, produzindo plantas fortes e muito saborosas, escondidas no meio do mato.

De fato, Bob Cannard fornece produtos para um dos restaurantes mais famosos do mundo: Alice Waters´ de ”Chez Panisse”, famosa “chef” que começou o movimento de conectar o chef com os agricultores que produzem os produtos consumidos no restaurante.

Bob Cannard argumenta que a planta deve ser permitida a cumprir sua “completude”. Como as hortaliças não chegam a completar seu ciclo, os matos fazem este papel, permitidos a completar seu ciclo de vida, fornecendo biologia e carbono ao solo. Morrem de “contentamento”. Assim tudo funciona em conjunto.

Parece simples, mas é profundamente complexo, porque é preciso saber quais são os matos que convivem com cada hortaliça, e o momento exato de intervenções. Ele mesmo confessa que perdeu muitas culturas até entender esta combinação complexa. Assim, em vez de somente deixar os matos espontâneos, Cannard planta as plantas companheiras que vão servir de cobertura- amaranto com alho porró, por exemplo. Os outros matos crescem junto, produzindo enormes quantidades de massa. Tudo é permitido de morre de velho. Cortar adubos verdes enquanto ainda verdes ele considera ser “infanticide”.

O adubo líquido, muito rico em micro-vida, é fornecido cada vez que irriga as plantas. Este adubo é aeróbico, desenvolvido em tanques, com bombas de ar constantemente alimentando a água com ar. Por volta deste tanque têm barris com diversos tipos de composto. Todos os dias, ele joga um pequeno punhado de algum composto na água de irrigação, constantemente alimentando o solo com tipos diversos de micro-vida. Quando viaja, ele coleta punhados de solo rico das regiões que visita, para acrescentar mais biodiversidade ao solo.

Ele argumenta que precisamos oferecer às plantas “uma vida de escolha”, para conseguir sua completude, para elaborar sua “etheric sweetness”(“doçura etérica”). Assim o solo precisa ser rico em minerais e vida. Ele não usa esterco, que considera desnecessário.

Basicamente, Cannard planta 50% do terreno para as culturas e 50% para a Natureza. Assim, ele colhe 75% do potencial das culturas, e 75% de potencial da Natureza, dando o total de 150%. Na visão dele, para ser “sustentável” é preciso produzir mais do que 100% porque sempre haveria quebras.

Lamento que não tenha nada com legendas em português de Bob Cannard. Para quem entende inglês, têm dois documentários excelentes:

Uma palestra para estudantes em Berkeley (vídeo acima)

E uma filmagem excelente de um dia de campo:

Ele afirma que estamos “com uma população grande num planeta pequeno”, assim não podemos mais plantar “tudo para a humanidade e nada para o planeta”. Se for sobreviver, é preciso hoje plantar “metade para a humanidade e metade para a Natureza” .

 

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Marsha Hanzi

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